sábado, 19 de setembro de 2009

2009: o ano sombrio da Fórmula 1



PARIS, França — O caso de armação envolvendo a Renault e seu ex-piloto Nelsinho Piquet é apenas o mais recente de uma série de polêmicas que abalaram o mundo da Fórmula 1 em 2009.

A crise econômica atingiu em cheio este esporte milionário, que se caracteriza em primeiro lugar pela ostentação.

Dois gigantes do setor anunciaram sua saída. A Honda sumiu antes mesmo do início da temporada 2009, mas acabou sendo comprada, no início de março, por seu diretor, o inglês Ross Brawn, por... uma libra simbólica.

Sete meses depois, a alemã BMW, provavelmente cansada dos resultados decepcionantes de seus carros, anunciou que não participará do Campeonato Mundial de 2010. A escuderia Sauber, que pertence à BMW, acabou sendo cedida a um fundo de investimentos.

A crise também azedou as relaações entre as principais escuderias, lideradas pela Ferrari e pela Renault, e a Federação Internacional do Automobilismo (FIA), que queria limitar em 45 milhões de euros o orçamento anual das equipes em troca de importantes vantagens técnicas. Algumas escuderias têm atualmente um orçamento superior a 400 milhões de euros.

A Associação das escuderias de F1 (Fota), ameaçaram criar um campeonato paralelo se o projeto fosse adiante. A Fota processou a FIA, que acabou voltando atrás. No entanto, a FIA avalizou a inscrição de três novas equipes, Manor, Campos e USF1, para o Mundial de 2010.

O debate afetou o início da temporada, antes de desembocar na renovação dos acordos Concórdia, sobre os direitos comerciais e o regulamento esportivo.

A polêmica estava praticamente superada quando houve o grave acidente de Felipe Massa, da Ferrari, no Grande Prêmio da Hungria, em 25 de julho. Massa foi atingido na cabeça por uma mola que se desprendeu do carro de Rubens Barrichello e perdeu o controle de seu monoposto, que saiu da pista e bateu contra um muro de contenção.

A volta do heptacampeão Michael Schumacher para suprir a ausência de Massa foi cogitada pela Ferrari, mas acabou não se concretizando. No lugar do alemão, prejudicado por dores no pescoço, a Scuderia testou o italiano Luca Badoer, que foi muito mal, antes de chamar Giancarlo Fisichella, da Force India.

E como se não bastasse, surgiu o caso Renault, no qual dirigentes da escuderia francesa foram acusados de forjar um acidente para favorecer Fernando Alonso no Grande Prêmio de Cingapura de 2008.

O depoimento de Nelsinho Piquet à FIA, que diz ter sido orientado pelo diretor-geral da Renault F1, Flavio Briatore, e pelo diretor de engenharia, Pat Symonds, a provocar deliberadamente um acidente para forçar a entrada do safety car e facilitar a vitória de Alonso em Cingapura, é um duro golpe à Fórmula 1.

Para evitar um eventual banimento do esporte, a Renault afastou Briatore e Symonds, e disse que não contestará as alegações de fraude.

O Conselho Mundial da FIA se reunirá no dia 21 de setembro para examinar o caso Renault, que já aparece como o maior escândalo da história da F1.

Nenhum comentário:

Postar um comentário